Educação em Pauta, Família

Do que as crianças precisam na primeira infância?

Especialista tira dúvidas e dá dicas para os pais criarem um ambiente rico e seguro para os filhos de 0 a 6 anos

Na Conquista Solução Educacional, acreditamos que a família e a escola devem atuar juntas para garantir que as crianças tenham uma boa educação e um futuro vitorioso. Para isso, nossos materiais têm dicas, orientações e informações. Assim, os pais podem acompanhar a trajetória escolar dos filhos. Além disso, aqui no Blog da Conquista, nós sempre trazemos novidades para manter as famílias atualizadas sobre o que há de novo na educação e também para ajudá-las a entender o universo das crianças. Foi por isso que conversamos com Hannyni Mesquita, coordenadora da Educação Infantil do Centro de Inovação Pedagógica Positivo. Ela nos contou as peculiaridades das crianças que estão na primeira infância e deu dicas do que fazer para ajudá-las a, desde cedo, construir um caminho repleto de conquistas. Confira!

Conquista: Quais as características das crianças que estão na primeira infância?

Hannyni Mesquita: No Brasil, o marco da primeira infância define que ela começa no nascimento e vai até os 6 anos. Os especialistas falam que este momento é o boom de desenvolvimento, da plasticidade neural (capacidade que os neurônios têm de formar novas conexões). Na primeira infância, a criança aprende muito mais e muito mais rápido do que no resto da vida.
A infância foi num tempo deixada de lado e até tratada de maneira simplista, mas a verdade é que ela é a fase mais importante do ser humano. É possível notar que, de um dia para o outro, a criança demonstra habilidades que até então ela não mostrava.

E o que fazer para ajudar as crianças que estão nessa fase de descobertas?

Nós, que trabalhamos com as crianças desta fase, chamamos a atenção para a importância do afeto, das interações, do estímulo, do cuidado. Essas experiências, juntamente com o ambiente em que a criança vive, moldam o cérebro dela e criam a base para os aprendizados que ela terá no resto da vida. É importante ela estar num ambiente com amor, porque esse sentimento acalenta e permite à criança que tenha segurança e confiança para ir além, fazer e descobrir mais. O vínculo permite a ela desenvolver a autoestima, sinta credibilidade para ir além.

Como a criança aprende nessa fase?

Pela experiência. A BNCC reforça isso, organizando o currículo da Educação Infantil em campos de experiências. As crianças precisam compreender o mundo e a si mesmas levantando hipóteses. É necessário interagir, agir, atribuir significado às experiências. Ela consegue fazer isso brincando. Brincar é um direito da criança, porque é a linguagem dela. Assim, ela consegue reinventar o que vê no dia a dia, testar hipóteses. Essas lições da infância impactam nas relações sociais de agora e do adulto que ela irá se tornar

Como as experiências dessa fase refletem no futuro das crianças?

É nesse momento que elas recebem ferramentas que usarão para a vida toda. Alguns pais acreditam que a criança vai para escola apenas para ler e escrever, mas é mais que isso. Lá, ela desenvolve habilidades cognitivas e socioemocionais, aprende a negociar, a ceder, a se comunicar. E a criança que desenvolve isso se torna um sujeito adulto mais bem preparado para várias situações. Ele saberá que, num momento de conflito, por exemplo, deve respirar, manter a calma… São coisas que se aprende na infância e que na vida adulta têm impacto muito maior.
É importante destacar que a impulsividade faz parte da criança, então o que a gente ensina é como ela pode se controlar sem se anular e respeitando o limite do outro.

Que dicas podemos dar para os pais de crianças que estão nessa fase?

A primeira coisa para esclarecer é que casa não é escola: casa é casa, tempo de família é tempo de família. Casa e escola são parceiras, mas são espaços diferentes. Algumas coisas são iguais, uma delas é a rotina, que é importante para que a criança se sinta segura, consiga se organizar mentalmente, tenha noção de tempo e controle a ansiedade. Em casa, também é preciso ter regras e combinados (a diferença entre esses dois termos é que o combinado pode ser flexibilizado, se for o caso), para fazer o pequeno entender o senso de coletividade.
Acima de tudo, os pais devem brincar com os filhos, se comunicar com eles na linguagem deles. Esquecer o celular, desligar a TV e falar “esses vinte minutos são seus” é ter tempo de qualidade com a família. E outra coisa muito importante é o incentivo à leitura. Antes de ler e escrever, a criança aprende a ler o mundo. A dica é ler jornais, livros, capas de revista, mostrar uma foto para a criança e perguntar “o que será que essa imagem quer dizer?”. Isso amplia o repertório, ajuda nas associações e interpretações que ela fará no futuro.

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